Opinião

O que o veganismo tem a ver com a “cura gay”?

O veganismo tem a ver com a “cura gay”. Não entendeu? A gente explica.

A liminar, do juiz do Distrito Federal, que permite estudos e atendimento profissional sobre a reorientação sexual abre precedente para uma série de questionamentos e julgamentos indevidos sobre a homossexualidade.  Convenhamos, a comunidade LGBT já sofre preconceito demais para agora ainda poder ser legalmente tratada como ‘doente’, né não? Desde 1999, o Conselho Federal de Psicologia afirma que psicólogos não podem tratar a homossexualidade que, por sinal, há 30 anos NÃO é reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde. Tá, mas o que o veganismo tem a ver com a “cura gay”?

O processo de se entender e se reconhecer vegana envolve, principalmente, se perceber capaz de amar e respeitar a si mesma. Apenas amando e respeitando a nós mesmas, conseguimos compreender que é necessário viver em harmonia com os demais habitantes desse imenso planeta, sejam eles seres humanos ou de outras espécies.

O veganismo, na verdade, começa exatamente aí: no amor. Não, não é a dieta que vem primeiro, de forma alguma. Se formos falar em dieta, notaremos que grande parte delas são de alguma forma resultado de um sistema opressor que estimula o desamor por nós mesmas, sabe? Ser vegana não é sobre sacrifícios, não é sobre seguir padrões, não é sobre modismo (embora não me incomode que o número de pessoas veganas cresça cada vez mais). Ser vegana é sobre amar e respeitar. É sobre olhar para o espelho com respeito, olhar para o outro com o mesmo respeito. Não é dieta. É um estilo de vida, uma filosofia.

Nós, enquanto veganas de corpo e alma, vemos em um animal o direito de viver, de ser livre, de amar e ser amado, não é? O mesmo deve ocorrer quando olhamos para um ser humano. Seria um tanto quanto hipócrita defender o direito dos animais e negar isso a uma pessoa. Nenhum animal escolheu nascer porco, peixe, vaca ou galinha ao invés de ser um “pet”. Existem coisas que estão muito distantes do que escolhemos aqui nessa vida, a gente já nasce com elas. A homossexualidade é assim também.

Tudo bem, eu vou sempre defender que cada um tem o seu próprio tempo e a sua própria trajetória em busca de sua evolução, cada um de nós dá o melhor que pode- mesmo que as vezes seja muito aquém do que esperamos. Por isso, não estou aqui escrevendo para julgar quem apoia a ‘cura gay’ e não consegue ainda enxergar que entre duas pessoas que se amam só existe amor, independente de orientação sexual. Mas não faz parte da filosofia vegana o preconceito e talvez esse seja um olhar interessante a se considerar, seja você vegana ou não.

Se lutamos contra o especismo, contra a arbitrariedade das indústrias da carne, laticínios, cosméticos (não veganos) e o carnismo, como não lutar contra  uma decisão que leva outros seres humanos à condição equivocada de doentes? Como não lutar contra uma decisão que dá força a um preconceito que mata, que tortura, que nos divide? Não dá e é por isso que precisamos nos posicionar.

Embora eu realmente acredite em situações que vão muito além do aqui e do agora, é no aqui e no agora que fazemos a diferença, que escolhemos em que vamos pautar a nossa filosofia de vida. Se você escolheu pelo veganismo, escolheu pelo amor e respeito. Homossexualidade não pode ser tratada, porque não é uma doença. O preconceito pode sim e o tratamento mais indicado é realizado através do amor, respeito e muita luta.

Algumas observações sobre o texto:

  • Utilizei a palavra “vegana” sempre no feminino, pois estava me referindo a pessoas veganas e as minhas experiências enquanto mulher vegana.
  • Queria muito conseguir escrever em uma linguagem neutra de gênero, mas estou encontrando muita dificuldade. Se alguém aí quiser ajudar, vou ficar muitíssimo grata.

 

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2 comentários

  1. Gostei do seu texto e acho interessante esclarecer as pessoas sobre veganismo sobre a filosofia vegana e quanto ao texto estar no gênero feminino relaxa está ótimo

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